quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A música Das almas

Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma
E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangularam a terra...
Depois veio a claridade, os grandes céus, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.

Vinícius de Moraes

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Provocação de Lord Harry

" Um grande poeta, um verdadeiro grande poeta, é a criatura mais sem poesia de todas. Mas os poetas inferiores são de fato fascinantes. Quanto piores forem as suas rimas, mais pitorescos eles serão.[...]Ele vive a poesia que não consegue escrever. Os outros escrevem a poesia que não ousam empreender." 

O Retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde

domingo, 27 de novembro de 2011

A uma mulher

Quando a madrugada entrou, eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente a ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade.

                                   Vinícius de Moraes

sábado, 26 de novembro de 2011

" Dizem que o que procuramos é um sentido para a vida. Penso que o que procuramos na verdade são experiências que nos façam sentir que estamos vivos."

                                                                                   Joseph Campbell

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

As máscaras do destino

" A sua sombra debruçou-se sobre o meu ombro, no silêncio das tardes e das noites, quando a minha cabeça se inclinava sobre o que escrevia; com a claridade dos seus olhos límpidos como nascentes de montanha, seguiu o esvoaçar da pena sobre o papel branco; com o seu sorriso um pouco doloroso, um pouco distraído, um pouco infantil, sublinhou a emoção da ideia, o ritmo da frase, a profundeza do pensamento."
                                     Florbela Espanca
                                  

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"A alma do homem, tão insignificante, sente-se às vezes ultrapassar o mistério infinito da própria existência e procura ansiosa um infinito maior ainda, onde perder-se; é nessas horas que o homem se sente perdoado do nefando crime de ser homem."
                                              Florbela Espanca

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Amor de Outrora

"Ah! Pobre mulher, que te atreves a dizer-te pobre com tanto ouro no teu passado, que dizes tremer de frio com tanta lenha a arder na fogueira em que te abrasaste, que ousas chamar-te inútil tendo criado tantas horas de beleza, que tens medo com tantas mãos amigas a abençoarem-te de longe!..."
                                                                                             Florbela Espanca